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Dentista para cachorro? Descubra a importância dos cuidados bucal desde cedo

Cuidar da saúde bucal dos cães desde cedo é fundamental para evitar doenças sérias, que colocam em risco a vida do seu amigo. Má formação dos dentes, placa bacteriana, inflamação e infecções nas gengivas são alguns males que causam muita dor, perda de dentes e podem desencadear até doenças de coração, de rins, entre outras.

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O desenvolvimento da medicina veterinária permitiu a segmentação em várias especialidades, onde os profissionais podem se especializar e atender melhor nossos pets, provendo tratamentos mais eficazes e, principalmente, prevenção para que eles tenham melhor qualidade de vida e longevidade.

Surgiu, assim, a odontologia veterinária. Estes profissionais especializados são capacitados para cuidar da saúde bucal do seu cão desde cedo, detectando possível má formação dentária, acúmulo de tártaro e placa bacteriana, infecções e outros males que podem culminar com doenças perigosas, além de gerarem dor e desconforto para nossos companheiros de todas as horas.  

Como nós, os cães sofrem de dor de dente, mas a percepção dos tutores é dificultada. “Por evolução da espécie, para que não “demonstrem” que estão doentes, muitas vezes, eles sentem dor na mastigação, mas engolem o alimento sem mastigar. Para o tutor, como o animal está se alimentando normalmente, não parece haver nada errado com os dentes”, explica a Dra Karolyne Larocca, veterinária do Hospital Veterinário Taquaral.

Daí a importância da avaliação odontológica, onde o profissional poderá detectar a existência de problemas para tratá-los, evitando o sofrimento do seu amigo e o agravamento do quadro.  O acompanhamento deve ser periódico, realizado, ao menos, uma vez ao ano, e permitirá, também, a avaliação da necessidade de uma limpeza para remoção de tártaro, entre outros procedimentos.

Cuidado deve começar cedo

A atenção com a saúde bucal é fundamental e deve iniciar ainda na fase de filhote. Começando a escovação e a higienização da boca neste período, você acostumará os pequenos a um importante cuidado para preservação de sua saúde.

Também, nesta fase, faça a primeira visita ao dentista, pois alguns problemas surgem logo na formação da dentição dos cãezinhos.  

Como nós, eles também trocam a dentição. Os dentes decíduos, conhecidos como dente de leite, surgem entre três e 12 semanas de idade.

São 28 dentes, que serão trocados entre três e seis meses, quando devem cair para dar lugar aos 42 dentes permanentes. Nesta transição, pode ocorrer de um ou mais dentes decíduos não caírem e ocuparem a mesma cavidade oral do dente permanente.

Este posicionamento conjunto dos dois dentes ocasiona dores e até mesmo fístulas –  machucados ocasionados pelo atrito do dente em locais inadequados, como, por exemplo, o “céu da boca”  e que indicam processo infeccioso. “Pode causar, também, algumas patologias secundárias ao acúmulo de placas bacterianas geradas pelos restos de alimentos entre os dentes”, explica Dra Karolyne.  

Este acúmulo, somado a outros fatores, como as bactérias existentes na boca do cão, favorecem o surgimento de cálculos dentários e da doença periodontal, um mal infecto-inflamatório que acomete os tecidos de suporte e sustentação dos dentes, culminando com sua perda.

Para evitar todo este transtorno que prejudica a saúde do seu amigo, o dente que não caiu precisa ser removido com uma intervenção cirúrgica.

Outras alterações podem ser diagnosticadas e tratadas nos filhotes, evitando que persistam e se agravem durante sua vida adulta, como a não erupção dos dentes de leite e defeitos na mordida.

Também podem ser detectadas na fase inicial, neoplasias (tumores), quando parecem apenas como manchas ou pequenos nódulos que os tutores não conseguem detectar. Como sabido, nestes casos, quanto mais cedo detectado o problema, melhor é o prognóstico para tratamento e cura.

Nunca descuide da higiene bucal

“Já escovou os dentes?”, perguntamos às crianças. No caso dos cães, não dá para mandar que cuidem dos dentes sozinhos. Temos que colocar a mão na massa e nos habituarmos a realizar a limpeza.  

Desde filhotes, é importantíssimo iniciar os cuidados diários com escovação e limpeza com produtos apropriados para os pets. O veterinário especializado orientará como realizar de forma eficaz o procedimento.

A limpeza evita acúmulo de tártaro e de placa bacteriana. “Os agentes bacterianos contidos na cavidade bucal são microorganismos altamente proliferativos que, com o passar do tempo, causam lesões aos tecidos adjacentes aos dentes, ocasionando inflamações na gengiva e a destruição do epitélio de fixação gengival”, esclarece a Dra. Karolyne.

Em consequência, seu amigo sentirá dor, terá sangramento e queda dos dentes pela lesão gerada. E o quadro pode ser ainda pior com desencadeamento de sérias doenças secundárias como Glomerulonefrite (inflamação  dos glomérulos, nos rins), Endocardite Bacteriana (infecção do músculo cardíaco ou suas estruturas, como as válvulas cardíacas), Hepatite, Poliartrite e Pneumonias.

“Todas estas doenças podem ser evitadas com cuidados diários de higiene e acompanhamento regular com o médico veterinário para prevenção e tratamento”, alerta a veterinária.

Por isto é importante, mesmo com animais adultos não habituados, iniciar uma rotina de prevenção com escovação e limpeza. “Se o animal permitir que manipulem sua boca, podemos introduzir os dedos envoltos com gazes para retirar as sujidades e aplicar produtos específicos para uso bucal em cães”, orienta Dra Karolyne.

E deve-se manter consultas anuais para avaliação geral e manutenção da limpeza com procedimentos de profilaxia realizados pelo médico veterinário.

Cáries e aparelhos ortodônticos

Como nós, os cães também podem sofrer com cáries. Felizmente, hoje a odontologia veterinária permite tratar do problema, dando melhor qualidade de vida a eles e evitando complicações.

“O tratamento previne a distribuição dos agentes patogênicos pela corrente sanguínea com o avanço da doença. Trata a dor e previne outras alterações secundárias a esta cárie”, sinaliza a Dra.

Também existem aparelhos ortodônticos, indicados, geralmente, para casos de mau posicionamento dos dentes, posicionamento inadequado de mandíbula ou maxilar, osteossínteses (fraturas ósseas), entre outros desvios. A correção garante conforto ao animal, melhor mastigação, evita traumatismos e outros agravantes.

Recapitulando:

O que você não pode esquecer sobre a saúde bucal do seu cão

    • Faça a limpeza regular, diária preferencialmente, dos dentes e da boca com produtos específicos.

 

    • Consulte um veterinário anualmente para avaliação da saúde bucal do cão. Somente ele poderá diagnosticar e tratar os males e evitar que evoluam para doenças sérias.

 

    • Avalie periodicamente as condições gerais: veja se ele está com dentição completa para idade, se tem dentes tortos ou juntos, se estão amolecidos.

 

  • Mau hálito ou coloração da gengiva mais avermelhada, o normal é ser rosada; sangue na boca ou nos brinquedos; e alteração na saliva são sinais de alerta e exigem uma consulta imediata.

 

Importante: jamais medique por conta própria seu cão, em qualquer fase da vida. Medicamentos incorretos e em doses equivocadas podem matar seu pequeno novo amigo.

Karolyne Larocca Taveira
CRMV-SP 43884
Graduação em Medicina Veterinária

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